O que o documentário do Ronaldinho Gaúcho me ensinou sobre estratégia, intenção e construção de marca
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Muito além do talento: o Bruxo também era construção estratégica

Eu gosto de futebol. Gosto mesmo. Da emoção, da criatividade, da atmosfera que o esporte cria. E, sendo completamente sincera, sempre fui fã de carteirinha do Ronaldinho Gaúcho. Porque o Ronaldinho nunca foi só um jogador. Ele era entretenimento. Era imprevisibilidade. Era carisma. Era aquele tipo de atleta que fazia até quem não acompanhava futebol parar para assistir. Mas assistindo ao documentário dele na Netflix, uma coisa me chamou ainda mais atenção do que os gols, os dribles e os títulos: as sacadas estratégicas por trás da construção daquela carreira. E talvez seja exatamente aí que mora uma das maiores lições sobre marketing, posicionamento e alta performance.
Existe uma romantização muito grande do talento. Como se pessoas extraordinárias simplesmente “nascessem prontas”. Mas quando você observa de perto grandes trajetórias, percebe que existe algo muito maior por trás: intenção.
Uma das partes que mais me marcou foi descobrir que, mesmo sem gostar de basquete, Ronaldinho assistia durante horas jogos da NBA para estudar movimentação, criatividade e estratégia. Isso diz muito. Ele não consumia aquele conteúdo por entretenimento. Consumía como observador. Como alguém que queria expandir repertório. Enquanto muita gente olhava apenas para o futebol, ele buscava referências fora da própria bolha. E isso é extremamente inteligente.
As jogadas espetaculares do Bruxo não surgiam apenas de improviso. Existia observação. Existia análise. Existia estudo. Existia intenção por trás da criatividade. Talvez essa seja uma das maiores diferenças entre quem apenas executa e quem realmente se torna memorável: a capacidade de encontrar inspiração onde ninguém está olhando. No marketing, isso também acontece.
As marcas mais interessantes geralmente não se limitam ao próprio segmento. Elas observam comportamento, cultura, entretenimento, moda, esporte, cinema, música e experiências humanas para construir algo original. Criatividade raramente nasce do óbvio.

Outra coisa que me chamou muita atenção no documentário foi a visão estratégica do irmão dele, Roberto Assis. No momento em que Ronaldinho desejava dar um salto maior na carreira, indo jogar na Europa e buscando chamar a atenção da Seleção Brasileira, Assis começou a analisar não apenas quais clubes seriam bons esportivamente, mas também quais poderiam posicioná-lo estrategicamente no cenário mundial. Foi aí que entrou a Nike.
A marca também patrocinava a Seleção Brasileira. Ou seja: jogar em clubes ligados à Nike aumentava sua exposição dentro daquele ecossistema, fortalecia sua imagem e o colocava muito mais próximo da vitrine certa para alcançar o próximo nível da carreira. Isso é estratégia de posicionamento. É entender que talento sozinho não basta. Você precisa estar nos lugares certos, conectado às narrativas certas e próximo das oportunidades certas.

Muita gente olha para grandes carreiras apenas pelo resultado final. Mas existe um bastidor inteiro de decisões inteligentes que ajudaram aquela trajetória a ganhar força. E acho que o documentário mostra exatamente isso: genialidade também se constrói.
Mas, acima de tudo, existe uma outra camada que talvez seja a mais importante de todas. O amor. Porque nenhuma estratégia sustenta uma carreira sem paixão verdadeira pelo que se faz.
Você percebe no Ronaldinho e no Assis um amor genuíno pelo futebol. Um encantamento real pelo jogo. E isso virou combustível para tudo o que veio depois. A disciplina de observar. A dedicação de estudar. A coragem de tentar algo novo. A leveza dentro de campo. A autenticidade. Nada disso nasce apenas da ambição. Nasce da conexão emocional com aquilo que se faz.
E talvez seja exatamente por isso que Ronaldinho tenha se tornado algo tão raro: um atleta que virou memória afetiva coletiva. O Bruxo não conquistou as pessoas apenas porque ganhava jogos. Ele conquistou porque fazia o futebol parecer arte.





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