"Desmarketize-se" e o cansaço de sustentar personagens
- há 14 horas
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Ao reler o livro de João Branco, percebi o quanto estamos buscando relações mais verdadeiras, na vida e no marketing.

Recentemente, reli "Desmarketize-se", de João Branco. E talvez uma das coisas mais interessantes sobre revisitar um livro seja perceber que ele nunca volta igual, porque nós também já não somos os mesmos.
Na primeira leitura, absorvi muito sobre comunicação, marcas e comportamento. Mas, dessa vez, os insights vieram por outro caminho. Mais humano. Mais silencioso. Mais profundo. O livro me fez refletir sobre o quanto estamos cansados de sustentar personagens. E não apenas no trabalho, na internet ou em ambientes específicos. Na vida mesmo.
Existe uma exaustão coletiva em precisar parecer forte o tempo inteiro. Interessante o tempo inteiro. Bem resolvido o tempo inteiro. Como se viver tivesse se tornado uma grande vitrine onde vulnerabilidade, dúvida ou imperfeição precisassem ser escondidas para manter uma imagem aceitável.
Em muitos momentos da leitura, me peguei pensando em quantas versões criamos de nós mesmos ao longo da vida para caber em lugares, atender expectativas ou simplesmente sermos aceitos. E talvez a parte mais perigosa disso tudo seja quando a performance se torna tão constante que já não sabemos mais onde termina o personagem e começa quem realmente somos.
O que mais gosto em “Desmarketize-se” é que o livro não faz uma defesa da espontaneidade irresponsável ou da ideia de “ser quem quiser sem consequências”. A reflexão é mais madura do que isso. Ele fala sobre coerência. Sobre a diferença entre construir uma imagem e abandonar a própria essência para sustentar essa imagem. E acho que essa é uma discussão extremamente atual.
Vivemos uma época em que as pessoas estão cada vez mais cansadas de relações superficiais, discursos ensaiados e conexões vazias. Existe uma necessidade quase urgente de encontrar verdade nas pessoas, nas marcas, nos ambientes e nas experiências. Talvez porque tudo tenha ficado excessivamente calculado.
Ao reler o livro, pensei muito sobre como aprendemos a nos adaptar para sobreviver socialmente. A esconder fragilidades. A suavizar partes da personalidade. A performar segurança mesmo quando estamos inseguros. E isso cobra um preço. Existe um desgaste emocional enorme em viver tentando sustentar versões idealizadas de si mesmo.
Por isso, uma das maiores reflexões que tirei dessa releitura foi entender que autenticidade não é sobre exposição. É sobre alinhamento. É quando aquilo que mostramos não entra em conflito com aquilo que somos. E isso exige coragem. Coragem para desapontar expectativas.Coragem para abandonar personagens que já não fazem sentido.Coragem para aceitar que nem todo mundo vai gostar da nossa verdade.
No fim da leitura, fiquei com a sensação de que “Desmarketize-se” fala muito menos sobre marketing do que sobre humanidade. Sobre a liberdade de existir sem precisar transformar tudo em performance. E talvez seja exatamente por isso que o livro continue fazendo tanto sentido para meu CNPJ, mas também para meu CPF.





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