Cor do ano não é regra: por que Pantone, WGSN e a numerologia falam linguagens diferentes e o empresário precisa entender isso
- Tainan Cruz
- 20 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
A confusão sobre as cores de 2026 revela um problema maior: falta de leitura estratégica de marca
À medida que 2026 se aproxima, um ruído começa a se repetir entre empresários e gestores de marca: afinal, qual é a verdadeira cor do ano? A Pantone aponta um tom de branco, a WGSN sinaliza o verde como direção global e a numerologia afirma que o vermelho regerá o próximo ciclo. Para quem não está habituado a interpretar tendências, o resultado é confusão, insegurança e decisões equivocadas de branding. O primeiro ponto que precisa ficar claro é que essas indicações não concorrem entre si. Elas simplesmente não falam da mesma coisa.
Pantone, WGSN e numerologia operam em camadas diferentes de leitura. Tratar essas sinalizações como uma regra única é um erro comum, especialmente entre empresários que tentam aplicar tendências de forma literal, sem estratégia.

A Pantone trabalha com clima emocional e cultural. Quando indica um tom como o branco Cloud Dancer para 2026, não está dizendo que todas as marcas devem se tornar brancas. Está traduzindo um estado coletivo: busca por clareza, pausa, simplicidade e alívio em um mundo saturado de estímulos. É uma leitura simbólica, muito mais comportamental do que estética.

Já a WGSN atua em outra frente. Sua análise é baseada em dados de consumo, movimentos sociais, sustentabilidade e comportamento de longo prazo. Quando o verde aparece como tom de destaque, ele carrega mensagens ligadas à regeneração, natureza, responsabilidade ambiental e equilíbrio. É uma cor que conversa com inovação consciente, futuro e impacto positivo.

A numerologia, por sua vez, não nasce do marketing nem do design. Ela interpreta ciclos energéticos e simbólicos. O vermelho, associado à ação, coragem, movimento e liderança, surge como representação de um ano que pede atitude, posicionamento e decisões firmes. Não é uma tendência visual, mas um arquétipo de comportamento. O problema surge quando o empresário tenta escolher “a cor certa” como se estivesse apostando em uma fórmula mágica. Marca não se constrói assim.
Tendências não existem para serem copiadas. Elas existem para serem interpretadas. Uma marca madura não pergunta “qual cor usar em 2026?”, mas sim “como o contexto cultural de 2026 dialoga com quem eu sou como marca?”. É totalmente possível que uma empresa se conecte com o conceito de clareza da Pantone, incorpore o discurso de sustentabilidade associado ao verde da WGSN e, ao mesmo tempo, comunique atitude e liderança, atributos ligados ao vermelho da numerologia. O erro está em aplicar tudo isso de forma superficial, apenas no visual, sem alinhamento estratégico.
Para empresários, a lição é clara: cor não é enfeite, é linguagem. E linguagem sem intenção vira ruído.
Quando uma marca muda sua paleta apenas porque “é a cor do ano”, ela corre o risco de perder consistência, confundir o público e enfraquecer seu posicionamento. Por outro lado, quando entende o que cada sinalização representa, consegue fazer escolhas conscientes, coerentes e alinhadas ao seu propósito.
Em 2026, mais importante do que seguir tendências será saber traduzi-las. As marcas que vão se destacar não serão as que adotarem a cor da moda, mas as que souberem ler o comportamento por trás dela e transformá-lo em narrativa, produto e experiência.
No fim, a pergunta certa não é qual é a cor do ano. É qual história a sua marca quer contar dentro desse novo ciclo.












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