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Chegar depois também é estratégia: o que o iPhone dobrável revela sobre posicionamento de marca

  • 21 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

A aposta tardia da Apple nos dobráveis mostra que, em marketing, maturidade vale mais que pioneirismo


Desde 2019, o mercado de smartphones dobráveis vem sendo explorado por marcas como Samsung, Huawei, Motorola e fabricantes chinesas. Durante esse período, a ausência da Apple sempre gerou a mesma pergunta: por que a empresa ficou de fora por tanto tempo? Agora, com a confirmação do iPhone dobrável previsto para 2026, a resposta começa a ficar mais clara. A Apple não chega tarde por descuido. Chega tarde por escolha estratégica.


Chegar depois também é estratégia: o que o iPhone dobrável revela sobre posicionamento de marca
Imagem: Divulgação Apple

Enquanto concorrentes disputavam protagonismo e pioneirismo, a empresa observava. Testava. Refinava. E, sobretudo, aguardava o momento em que a tecnologia estivesse madura o suficiente para não comprometer sua principal moeda: a confiança do consumidor. O maior problema dos dobráveis sempre foi o mesmo: o vinco visível na tela. Mesmo após várias gerações de produto, nenhuma marca conseguiu eliminá-lo por completo. Para o consumidor comum, esse detalhe técnico se transforma rapidamente em percepção de fragilidade, produto inacabado ou alto risco de arrependimento. Para a Apple, esse tipo de concessão simplesmente não faz parte do jogo.


Ao apostar em um iPhone dobrável sem vinco visível, a empresa deixa claro que não está interessada em participar da categoria enquanto ela ainda carrega falhas estruturais. Mais do que lançar um novo formato, a Apple busca redefinir o padrão de qualidade esperado para esse tipo de dispositivo. Essa lógica não é nova. Foi assim com o Apple Watch, com os AirPods e até com a adoção do 5G no iPhone. Em todos os casos, a empresa preferiu esperar, entrar depois e entregar uma experiência mais integrada, estável e desejável. O mercado costuma chamar isso de atraso. Do ponto de vista estratégico, é posicionamento.


Para empresários, esse movimento traz uma lição importante: nem toda oportunidade precisa ser aproveitada no primeiro momento. Existe uma diferença significativa entre ser o primeiro e ser o melhor percebido. Em muitos mercados, especialmente os mais tecnológicos, quem chega cedo educa o consumidor, mas quem chega no momento certo colhe escala e valor.


O iPhone dobrável também reforça outro ponto-chave: produto não vive isolado. Ele faz parte de um ecossistema. Ao integrar um dobrável ao universo do iOS, do iCloud e dos serviços da Apple, a empresa não lança apenas um novo aparelho, mas amplia possibilidades de uso, produtividade e continuidade entre dispositivos. Isso aumenta o valor percebido sem depender apenas de especificações técnicas.


Enquanto isso, o mercado de dobráveis ainda é visto como nicho. Preços elevados, dúvidas sobre durabilidade e usabilidade limitam a adoção em massa. A entrada da Apple, justamente atacando o principal ponto de crítica do segmento, pode acelerar esse processo e redefinir expectativas do consumidor.


O que está em jogo não é apenas um novo iPhone, mas uma narrativa clara: inovação não é sobre correr, é sobre sustentar. Marcas fortes não precisam provar que conseguem lançar algo novo. Precisam provar que conseguem lançar algo melhor.


Se o cronograma para 2026 se confirmar, a Apple chegará sete anos depois da estreia dos dobráveis no mercado. Ainda assim, poderá ser percebida como a marca que finalmente fez o formato funcionar de forma plena.


No fim, o caso do iPhone dobrável reforça uma verdade desconfortável para muitos negócios: chegar primeiro dá visibilidade, mas chegar certo constrói liderança.

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Quem escreveu esse post

Tainan Cruz, curiosa, inquieta, leitora compulsiva e comunicadora por vocação. Uma pessoa que ama viver noas experiências e compartilhar suas ideias e descobertas sobre a vida. 

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