2026 lembra 2016? O que a neurociência explica sobre o novo posicionamento das marcas
- 16 de jan.
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Atualizado: 17 de jan.
O marketing está voltando ao essencial, e o cérebro humano ajuda a explicar por quê.

A comparação entre 2026 e 2016 tem se espalhado pelas redes sociais, análises de mercado e conversas entre profissionais de comunicação. À primeira vista, a associação parece superficial, baseada em estética, formatos de conteúdo ou tendências culturais que retornam. Mas, ao observar o movimento com mais atenção, fica claro que o fenômeno é mais profundo, e tem base científica.
O que está em curso não é uma nostalgia coletiva, mas uma resposta cognitiva ao esgotamento de um modelo de marketing excessivamente técnico, automatizado e orientado apenas por performance.
Depois de anos de hiperestimulação digital, o cérebro humano começou a reagir com rejeição.
Estudos conduzidos pelo Princeton Neuroscience Institute demonstram que o excesso de informação visual e narrativa ativa regiões cerebrais associadas ao estresse e à confusão cognitiva, dificultando a tomada de decisão e reduzindo o engajamento. Em outras palavras: quando tudo tenta chamar atenção ao mesmo tempo, nada se fixa.
Esse dado ajuda a entender por que, em 2026, marcas com discursos mais simples, identidades claras e posicionamentos bem definidos voltam a ganhar relevância, algo muito semelhante ao ambiente digital de 2016. Naquele período, a comunicação ainda era mais direta, menos saturada e menos dependente de fórmulas. Agora, o mercado retorna a esse ponto não por falta de evolução, mas por maturidade.
A ciência do comportamento humano reforça esse caminho.
O neurologista Antonio Damasio, referência mundial em neurociência, comprovou que emoções não são opostas à razão, mas condição essencial para a tomada de decisão. Em seus estudos, pacientes com danos nas áreas emocionais do cérebro mantinham intacta a capacidade lógica, mas se tornavam incapazes de escolher.
No consumo, isso se traduz de forma clara: pessoas não escolhem marcas com base apenas em argumentos racionais. Elas escolhem com base no que sentem, e depois justificam com dados.
Durante os últimos anos, o marketing tentou convencer pelo excesso de informação, gatilhos de urgência e promessas agressivas. O resultado foi um público mais ansioso, desconfiado e seletivo. Em 2026, o movimento se inverte. Marcas passam a investir novamente em vínculo emocional, narrativa e identidade, compreendendo que decisão nasce da conexão, não da pressão.
Esse retorno também se manifesta na valorização do storytelling. Pesquisas em neuromarketing publicadas pela Harvard Business School indicam que histórias ativam múltiplas áreas do cérebro simultaneamente, incluindo regiões ligadas à memória e à empatia. Dados isolados, por outro lado, ativam apenas áreas analíticas, com menor retenção.
Isso explica por que marcas que compartilham bastidores, processos e jornadas constroem mais autoridade do que aquelas que apenas exibem resultados. Em 2016, esse acompanhamento de percurso acontecia de forma espontânea. Em 2026, ele retorna como estratégia consciente de posicionamento.
Outro ponto decisivo está na forma como o cérebro responde ao medo. Durante anos, o marketing explorou gatilhos baseados em escassez e ameaça. A neurociência mostra que esse tipo de estímulo ativa a amígdala cerebral, responsável por respostas de sobrevivência. Embora isso possa gerar ação imediata, também provoca ansiedade e ruptura de confiança a médio prazo.
Estudos da American Psychological Association indicam que estímulos baseados em segurança e previsibilidade emocional geram vínculos mais duradouros do que mensagens baseadas em medo. Não por acaso, marcas em 2026 estão adotando uma comunicação mais acolhedora, menos alarmista e mais comprometida com relações de longo prazo.
Essa mudança também se reflete na humanização das marcas. Pesquisas em comportamento do consumidor mostram que o cérebro humano confia mais em pessoas do que em instituições abstratas. Narrativas em primeira pessoa, falas imperfeitas e posicionamentos claros ativam mecanismos de espelhamento social, fundamentais para a construção de confiança. Em 2016, influenciadores e criadores cresceram por parecerem “gente comum”. Em 2026, esse mesmo princípio retorna, mas agora integrado ao branding de empresas e marcas pessoais, de forma estratégica e intencional.
Quando se observa o cenário sob essa perspectiva, fica claro que 2026 não repete 2016. Ele corrige os excessos do caminho. O mercado não está voltando atrás, está voltando ao que sempre funcionou no cérebro humano.
A neurociência confirma: simplicidade gera conforto cognitivo, emoção gera decisão e histórias geram memória. O marketing atual apenas reconhece isso com mais consciência do que há uma década.
No fim, o posicionamento de marca continua sendo sobre clareza, coerência e significado. Todo o resto é ruído.












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